
Há um ditado que diz assim: “A galinha do vizinho é sempre mais gorda que a nossa.”... Fico pensando se realmente é. Esses dias encontrei uma amiga que a muito tempo não via e como sempre, a encontrei sorridente, astral maravilhoso, cheia de energia, linda e elegante. Tudo que uma mulher gostaria der ser, está caracterizado nessa pessoa.
Conversa vai, conversa vem e ela e disse que estava afastada do trabalho por motivos de saúde. Procurei com os olhos indícios de algo errado com ela e não encontrei nada aparente. Seria um problema psicológico? Com aquele sorriso maravilhoso, olhar brilhante e super animada... Não tinha condições de ser também.
Perguntei se ela gostaria de me contar o que se passava com a saúde dela, e a resposta que obtive foi: "Amiga, estou com câncer no cérebro, e os meus dias de vida estão findando." Fiquei com os olhos arregalados diante dessa resposta, um nó na garganta que fez um barulho enorme quando engoli em seco. Fiquei sem chão. Confesso que somente esbocei um som inexprimível e depois, reticências da minha parte. Não sabia o que dizer diante do que ouvi. Ela percebeu é claro! Segurou em minhas mãos, me olhou nos olhos e concluiu: “A vida é preciosa amiga, não sabemos quando ela vai ser interrompida, mas quando estamos diante da morte e com os dias contados, o melhor é não perder tempo lamuriando o destino. Pra mim, a vida é uma dádiva de Deus. Ele a deu e Ele a toma quando quer.”
Mesmo assim, diante de tudo que ouvi, o nó na garganta continuava apertado. Levantei da mesa onde estávamos tomando um café, me despedi e saí meio anestesiada. Tudo bem, Ele leva quando quer, e é certo que um dia iremos embora também dessa vida, mas pensar nisso causa um desconforto. Não estamos preparados para a finitude da existência. Eu creio na tricotomia do homem, que ele na verdade é um espírito, mora dentro de um corpo e possui uma alma. E o que na verdade padece é essa casa em que moramos... Mesmo assim não posso dizer que é fácil aceitar isso.
Câncer no cérebro? Quem foi que disse mesmo que a galinha do vizinho é sempre mais gorda? Decididamente a galinha do vizinho às vezes é bem mais magra que a nossa, e não notamos que a aparência opulenta fica por conta das penas. Temos a tendência de achar que os nossos problemas são maiores que os dos outros, que a dor em nós é mais intensa, que nossa tristeza é mais profunda.
E eu que tinha saído aborrecida de casa, achando que a vida não tem sido boa comigo e que Deus parece que me esqueceu... Por qual motivo mesmo é que eu estava me lamuriando tanto da vida e questionando Deus??? PS: Notei que minha galinha anda bem gordinha!!!!!
Marly Bastos
3 comentários:
Que bom que gostou Calu. O texto é nosso.
Sabe, isso já tem um tempo que aconteceu e agora ela está em coma profunda e com morte cerebral... Só falta desligar os aparelhos. Aí, pra desabafar um pouco e segurar a dor, escrevi. Escrever alivia o pranto.
Realmente, são varias vezes que acontece que me sinto ruim e só consigo aliviar escrevendo... Paz, força e é como ela falou o melhor é não perder tempo lamuriando o destino. “Pra mim, a vida é uma dádiva de Deus. Ele a deu e Ele a toma quando quer.” Abraços!
Você escreve maravilhosamente bem. A dor do outro às vezes é bem maior do que a nossa. Um depoimento de uma amiga sensível e dedicada. Um abraço, Yayá.
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